
Na Última Ceia, Jesus lavou os pés de seus apóstolos. Na Quinta-feira Santa acontece a cerimônia do lava-pés para lembrar o gesto de Jesus, que simboliza a humildade.
Na véspera de sua paixão, Cristo orou no Monte das Oliveiras (Cf. Mt 26,36) e teve sua paixão concretamente iniciada. Desejando ardentemente celebrar a páscoa com os seus discípulos (Cf. Lc 22,14-15), ele então os reúne e com eles celebra a Ceia Santa. Sua morte sacrifical é aqui antecipada sacramentalmente, isto é, sua entrega na cruz, que aconteceria no dia seguinte, aqui se faz real e misticamente, em mistério, pois a antecipação sacramental da própria morte está fora das estreitezas da ação puramente humana.
A Eucaristia, verdadeiro sacrifício e sacramento da eterna redenção, é então nesse dia instituída, como também é instituído o sacerdócio ministerial ordenado e promulgado o mandamento novo do amor.
Como sabemos na liturgia o evangelho sempre narra a temática principal da celebração, o que, porém, não acontece na Quinta-Feira Santa, onde a instituição da Eucarística nos é transmitida pela narração de São Paulo, na segunda leitura, como tradição paulina da comunidade primitiva. No evangelho, de João, vemos o exemplo de Jesus, lavando os pés dos discípulos e dando-lhes o mandamento do amor, no rito do “Lava-pés”, que a Igreja também conserva, em rara mimese litúrgica. Podemos dizer que o rito simbólico do “Lava-pés” aponta-nos o serviço fraterno, que deve nascer sempre de nossa vida sacramental e eucarística.
A exemplo do que foi mostrado no Domingo de Ramos, a liturgia da Quinta-Feira Santa vai estar inserida também na dupla característica do Mistério Pascal: a cruz e a glória, como pode-se ver desde o canto de entrada, inspirado em Gl 6,14 (Gloriar-se na cruz de Cristo). É, pois, celebração solene, com incensação, ornamentação da igreja e do altar, canta-se o Glória, mas não se canta o Aleluia nem se recita o “Creio”. Em lugar do Aleluia, canta-se a aclamação do “mandamento novo”. Após o canto do Glória, o órgão deve silenciar-se, como também outros instrumentos, o que mostra claramente o clima da paixão de que já se revestiu a liturgia. Também no fim da celebração, o altar é desnudado, e os ritos finais cedem lugar à procissão do Santíssimo para a capela lateral. É muito desejável que, nesse dia, onde for possível, se dê a comunhão sob as duas espécies.
A liturgia da Quinta-feira Santa é a mesma para todos os anos, e todos os seus textos são de intensa riqueza. Na oração do dia, “que se concentra na idéia da instituição da Eucaristia como sacrifício e como banquete do amor”, pedimos a Deus que também nós cheguemos à plenitude da vida e do amor. A leitura do Antigo Testamento vai nos falar do cordeiro pascal, cujo sangue serviu de sinal para a libertação do povo de Israel, e a ceia noturna daquele povo foi uma introdução à saída da escravidão, tudo portanto como figura da libertação definitiva que, mais tarde, Deus providenciaria na pessoa de seu próprio Filho, como recordamos na liturgia e atualizamos de maneira sacramental.
Tudo então na Quinta-Feira Santa nos leva à descoberta do amor. Cristo nos dá um mandamento novo, e no rito do “Lava-pés” ele nos mostra que veio não para ser servido, mas para servir, mandando-nos fazer o mesmo, a fim de o seguirmos nas trilhas da redenção. É ele, pois, que nos escolhe e nos ama primeiro, na nossa condição real de pecadores. Não espera que nos tornemos dignos de seu amor, mas ama-nos em nossa indignidade. Esta é a ótica de todo o Mistério Pascal: Deus nos ama com amor misericordioso, acima de nossa compreensão. Não nos ama porque somos amáveis, mas se somos amáveis é porque ele nos ama.
LEITURAS BÍBLICAS DA QUINTA-FEIRA SANTA (ANOS A, B e C)
Ex 12,1-8.11-14 Sl 116(115),3-4.6-7.8.9 1Cor 11,23-26 Jo 13,1-15
Fonte: CIC - Catecismo da Igreja Católica
Editado por: Jerlandio Moreira
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